Esta é uma breve análise, não faria sentido nos atermos a tantos detalhes técnicos, o caminho a ser seguido é, na opinião do PopCat, o maior triunfo do filme: sua belíssima mensagem. Mais até do que saber a data de lançamento, em que plataformas foi exibido ou a participação de Tom Hanks (isso fica para depois).
O filme põe em cena um garoto canadense que conhecemos como “Herói”. Ao longo da aventura, mesmo desacreditado no Papai Noel e desiludido com aquela data, vislumbramos sua conduta altruísta, responsável e bondosa em momentos como o qual para a “Maria Fumaça” para que Billy (garoto humilde e introspectivo) pudesse entrar, a passagem em que, junto com Sarah, se aproxima ao cabisbaixo colega para tomar chocolate quente e a oportunidade em que devolve o bilhete até então perdido a Sarah, na esperança que não fosse expulsa da locomotiva. Bem, a narrativa é justamente acompanhar tudo à sua óptica, para nos vermos nele como seres descrentes mas que ainda assim notemos que a magia está dentro de nós.
Para evoluirmos e aprendermos junto ao rapaz, o filme apresenta o Espírito do Natal, personificado como o Vagabundo, que o acompanha em alguns momentos da história servindo como uma espécie de mentor, discorrendo sobre o significado do feriado e alguns valores de forma velada, como o porquê de acreditar e o infâme “ver para crer”. Todos esses elementos vão moldando o pensamento do Herói até a chegada no Polo Norte, e nós, enquanto isso, vamos absorvendo junto a ele todos esses princípios. Todos esses elementos nos levam ao Clímax, momento em que todos já se encontram no Polo Norte e tem suas personalidades bem construídas. “Ah, mas simplesmente ser bom não é suficiente para dizer que o rapaz carrega o espírito natalino consigo”, dirá você. Certo, ele ao longo da trama se diz de fato descrente e parece não gostar de ser passado para trás, como bem coloca o Vagabundo. Porém, nos ao final ele finalmente consegue escutar os guizos, cravando assim, sua crença no Natal.
O Expresso Polar é uma criação inspirada e emocionante que nos faz voltar a infância. Mesmo a animação não sendo o primor da computação gráfica no que diz respeito à expressões faciais, ela não compromete a experiência pois os méritos são abundantes: os cenários são maravilhosos, os números musicais contagiam, os personagens são cativantes e acima de tudo sua mensagem. Mensagem que é nada menos que despertar o senso de bondade que há dentro de cada um, florescer nossa compaixão através de exemplos simples e da fonte mais qualificada para tal: uma criança. Lembrar que, mesmo que sejamos consumidos pelas mazelas do mundo, o que há de mais belo ainda está conosco, claro, nossa humanidade. Isso sim é mágico.
Curiosidades
Tom Hanks interpreta 5 personagens: O Condutor, Papai Noel, O Vagabundo, o Herói mais velho e o pai do Herói;
O orçamento foi de US$ 165 milhões, tendo lucrado cerca de US$ 313,5 milhões;
Este é o primeiro filme na história a usar inteiramente a tecnologia de captura de performance.